Universo Católico Especial - A Paixão
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Ameaça concreta ou mera histeria?   Exibir em PDF  Imprimir  Envia por E-mail 
Duas semanas antes de o filme A Paixão, de Mel Gibson, pipocar em duas mil telas país afora, comerciantes online de tickets relataram que metade de seus rendimentos provinha de vendas antecipadas para assistir ao filme. Um cinema multiplex de Dallas reservou todas as vinte salas para A Paixão de Cristo. Não sou nem um profeta nem um crítico de filmes. Sou apenas um rabino ortodoxo fazendo uso da antiga sabedoria judaica para fazer três previsões a respeito da Paixão.

Primeira previsão: Mel Gibson e a Icon Productions vão fazer muito dinheiro. Os distribuidores que renderam-se às pressões de organizações judaicas e ignoraram A Paixão não vão se perdoar, enquanto a Newmarket Films vai sorrir de orelha a orelha. Os donos de cinemas vão amar esse filme.

Segunda previsão: A Paixão ficará famoso como o filme bíblico mais sério e significativo já rodado. Será um dos mais comentados eventos da indústria do entretenimento em toda a história, e já é capa da Newsweek e da Vanity Fair.

Minha terceira previsão é de que a fé de milhões de cristãos se tornará mais intensa na medida em que A Paixão de Cristo os emocionar e os inspirar. A Paixão de Cristo irá estimular uma grande quantidade de não-religiosos a abraçar o Cristianismo. O filme será um dia reconhecido como o arauto do terceiro ressurgimento da maior religião dos EUA. As organizações judaicas que têm gastato tempo e dinheiro à toa, protestando contra A Paixão de Cristo — aparentemente tentando evitar pogroms [massacres] em Pittsburgh —, não deveriam se orgulhar de suas performances. Elas falharam em tudo que almejaram. Esperavam arruinar Gibson ao invés de aprimorá-lo. Esperavam suprimir A Paixão ao invés de promovê-lo. Enfim, esperavam ajudar aos judeus ao invés de prejudicá-los.

Vou divagar um pouco e exercer o valor judeu de "dar o benefício da dúvida", dando desconto para as insinuações cínicas que andam ganhando popularidade, que dizem que a própria natureza pública de seus ataques contra Gibson expõem seus verdadeiros propósitos financeiros. Aparentemente, assustar ricaças viúvas da Flórida sobre monstros anti-semitas que andam soltos pelas ruas dos EUA faz com que elas abram suas carteiras e abasteçam os cofres dessas organizações. Mas vamos assumir que isso é feito na esperança de ajudar os judeus.

Porém, ao invés de ajudar à comunidade judaica, essas organizações infligem danos duradouros. Ao lançar sua fúria de forma seletiva, contra um filme benéfico que representa o Cristianismo de forma positiva, essas organizações despertaram raiva, dor e ressentimento. No programa Toward Tradition Radio Show e em palestras proferidas pelo país, tenho a oportunidade de ter contato com a América Cristã, e o que tenho ouvido é preocupante. Temendo atrair a ira de grupos judaicos que rapidamente taxam tudo de "anti-semita", certos cristãos estão relutantes em se expressar. Embora seja possível calar as pessoas na base do porrete, por trás das portas as emoções vão continuar a borbulhar.

Considero de importância crucial informar aos cristãos que nem todos os judeus concordam com os auto-intitulados "porta-vozes judaicos". A maioria dos judeus americanos interagem de forma amorosa e agradável com seus concidadãos cristãos e se sentiriam envergonhados ao ter de explicar o porquê de tantas organizações judaicas estarem adotando uma agenda hostil aos valores judaico-cristãos. Muitos indivíduos judeus têm compartilhado comigo a vergonha que sentem dessas organizações judaicas, que atacam A Paixão de Cristo mas ficam caladas diante de filmes em que policiais são assassinados e mulheres são brutalizadas. Alegando liberdade artística, grupos judaicos ajudaram a proteger exibições sacrílegas anti-cristãs, como a mostra de fezes do Brooklyn Museum quatro anos atrás. Não dá para culpar os cristãos por suporem que os judeus entendam "liberdade artística" como algo importante só quando exercido contra o Cristianismo. Porém, não é assim que todos os judeus pensam.

Tenho encontrado organizações judaicas por todo o país insistindo que a crença no Novo Testamento é uma evidência de anti-semitismo de fato. Cristãos têm ouvido falar de líderes da comunidade judaica que denunciaram Gibson por fazer um filme que retrata a Crucificação sem ao menos o terem assistido. Além do mais, os cristãos sentem-se magoados por grupos judaicos que supostamente tentam ensiná-los o que a Escritura Cristã "realmente significa". Veja só o que disse um rabino com quem eu debati no programa de Bill O´Reilly, na FoxNews: "Temos a responsabilidade, enquanto judeus, enquanto pensadores judeus, enquanto teólogos, de responder a nossos irmãos cristãos e engajá-los, sejam protestantes, sejam católicos, a dizer, escuta, essa não é sua história, não é sua teologia, não é aquilo no que vocês crêem". Embora seja um bom e respeitado rabino, ele também comprou a idéia ridícula de que os judeus vão reeducar os cristãos a respeito da história e da teologia cristãs. Ainda resta alguma dúvida de que essa arrogância vai espalhar amargura e desagrado?

Muitos cristãos que, com razão, consideram-se os melhores (e talvez os únicos) amigos dos judeus sentiram-se magoados com aqueles judeus que acreditaram que A Paixão de Cristo revelaria novidades e coisas assustadoras sobre a Crucificação. Eles estão céticos com aqueles judeus que pensaram que a exposição ao Evangelho em forma visual transformaria, instantaneamente, os gentios mais filo-semitas da História em odiadores de judeus. Cristãos estão desconcertados com os judeus que não compreendem que o presidente George Washington, que sabia e reverenciava cada palavra dos Evangelhos, mesmo assim escreveu a bela e famosa carta à Sinagoga de Touro, em Newport, oferecendo amizade e total participação dos EUA com a comunidade judaica.

Um dos diretores da AJC [American Jewish Comitee] recentemente alertou que A Paixão "poderia minar o senso de comunidade entre cristãos e judeus. Não permitiremos que o filme faça isso". Não, meu caro, não é o filme que ameaça o senso de comunidade, mas sim a arrogância e a resposta intempestiva das organizações judaicas. Organizações judaicas, desejosas em ajudar, mas falhando espetacularmente, refutam todos os mitos sobre a inteligência judaica. Como seus planos puderam ser assim tão mal planejados e tão mal executados?

A antiga sabedoria judaica ensina que nada confunde mais a mente do que ser captado por duas emoções tão poderosas, amor e ódio. As atitudes dessas organizações judaicas insinuam que estão nas mãos de um ódio contra o Cristianismo que apenas prejudica os judeus.

Hoje, o perigo ameaça a todos os americanos, tanto judeus quanto cristãos. Muitos dos homens e mulheres que estão na linha de frente encontram grande apoio em sua fé cristã. É estranho que organizações judaicas, objetivando proteger os judeus, acreditem que insultar seus aliados é o caminho preferível para justificar seus mandatos.

Um rottweiler feroz na sua casa rapidamente afastaria os vizinhos de você. Para nós da comunidade judaica que buscam a amizade com nossos vizinhos, algumas organizações judaicas têm se tornado nossos rottweilers. Deus nos ajude.
 
Por Alexandre Ramos da Silva
Autor: Rabino Daniel Lapin

Fonte: <www.towardtradition.org>, 12/02/04